terça-feira, 5 de junho de 2007

Por que a greve é legal?

O caráter excepcional dos últimos acontecimentos - e aqui vale lembrar a intrépida ocupação da reitoria da universidade de São Paulo e todas as manifestações ocorridas em diversas universidades do sistema público de ensino superior - coloca a estudantes, funcionários e professores, finalmente e de forma inexorável a discussão, não apenas sobre os decretos do Serra, mas também sobre todo, e já antigo, processo de privatização/sucateamento da universidade pública.

Discussão já há algum tempo suscitada no campus de Araraquara, e que só agora parece ter ganhado sentido. Parece que finalmente saímos do empobrecedor círculo vicioso representado pelo cotidiano institucionalizado - que, inflexível, simula necessidades e responde exclusivamente a demandas mercadológicas - e passamos a refletir criticamente sobre ele. O processo reflexivo impõe e, ao mesmo tempo, é moldado a partir da suspensão deste cotidiano e da construção de um outro, agora autodeterminado.

A greve é a manifestação dessa suspensão, um meio de expressão de nossas reivindicações. É a negação de um cotidiano arbitrário e alienante e a afirmação de uma universidade pública e para tod@s. Ela não se configura por um inócuo tombar de ombros, tão recorrente entre nossos companheiros de sala, funcionários e professores apáticos. Não! A greve é o reflexo positivo da nossa insatisfação, é processo no qual, tornaremos públicas as aulas e política a arte. É o momento em que na negação da forma de fazer política que nos impõe construiremos a democracia dos que lutam.

A greve é a construção da autonomia desde já!

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