sábado, 16 de junho de 2007

CADEIRAÇO - NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O ATO DO DIA 15/JUN./2007

Após aproximadamente 36h desde a Ocupação da Diretoria da FCL-Car, foi chamada uma Assembléia Geral. Durante todo o dia, os estudantes da Ocupação fizeram uma campanha de passagem em salas-de-aula, com o objetivo de convidar todos e todas para essa Assembléia. Nessa campanha foi explicado com clareza o funcionamento e a estrutura de uma Assembléia democrática e de luta. Na verdade, além de uma questão informativa – ou seja, esclarecer àqueles e àquelas que pela primeira vez tomavam contato com assembléias de greve como se estruturam e funcionam as mesmas – a preocupação era, de fato, historicizar a gênese da metodologia utilizada.Uma assembléia nada mais é do que uma instância de auto-determinação na qual aqueles e aquelas que lutam deliberam acerca dos meios utilizados, de forma coletiva, para atingir os fins a que se propõem. A esquerda e os movimentos sociais, décadas a fio, construíram historicamente essa metodologia enquanto síntese de uma concepção de mundo – em claro contraponto a ditadura civil-militar, que vigorou entre 1964 e 1985 no país, a qual combatiam. Mais do que um aspecto “técnico”, as “questões de ordem”, a ordem do dia, composição de mesa etc. condensam a experiência de gerações inteiras de lutadores sociais comprometidos com a causa da transformação social. Um exemplo claro disso foi a diferença estabelecida entre as assembléias de professores na FCL-Car. Com mesas compostas sem consenso entre os/as presentes no plenário, sem pautas pré-definidas, sem inscrições, sem divisões eqüitativas de tempo de fala... enfim, sem democracia. O resultado disso foi uma “assembléia” (11/jun./07) que, em menos de 15min., vários docentes absolutamente descompromissados com a universidade pública votaram pelo fim da greve – sem qualquer discussão sobre decretos-decratórios (Serra), REUNI (Lula) ou qualquer medida anti-universidade tomada pelos governos estadual e federal.

A política deliberada – em torno da passagem em salas, com o informe acerca da assembléia – mostrou-se eficiente, na medida em que chegou a promover debates em diferentes grupos durante o dia todo. Nas discussões tentou-se esclarecer, entre outras coisas, que a Assembléia é um Fórum de deliberação democrático, soberano e – acima de tudo – no qual o respeito às falas de todos/as era (e é) premissa para o próprio funcionamento das discussões e das deliberações.

O resultado dessa ação se mostrou como uma Assembléia que teve início com um anfiteatro repleto de estudantes, com vários setores, favoráveis e contrários à Greve.

A mesa sugeriu uma pauta, de acordo com o indicativo da última Assembléia (13.06.2007), a qual foi inicialmente contestada. Houve a reivindicação, por parte de alguns estudantes, de inclusão de uma pauta na qual se votasse – antes de qualquer discussão – sobre a continuidade ou não da greve. Então uma companheira propôs um encaminhamento aprovado, por consenso, pelo plenário. Ao invés de propor apenas uma simples inclusão – que, se aprovada, invalidava todo o restante da pauta – colocava-se a necessidade de uma nova proposta, global, de pauta. O encaminhamento colocava uma questão para a assembléia. Todo o trabalho humano – social e necessário – dispendido em plenárias preparatórias, reuniões de comando de greve unificado com funcionários etc. não poderia ser simplesmente desconsiderado. A nova proposta também deveria expressar de que forma se colocava o compromisso com a luta pela universidade pública e contra os ataques neoliberais. Ou então apenas repetiríamos – tragédia convertida em farsa – a lamentável manobra, oportunista e corporativa – realizada pela assembléia de professores. E desde o início estávamos – todos e todas – convictos da necessidade de autonomia crítica e independência recíproca entre os diferentes setores (estudantes, funcionários e professores): estava claro, historicamente, NÃO QUERÍAMOS IR A REBOQUE DOS PROFESSORES. Foi, então, proposta uma nova pauta, inserindo pontos específicos de informes e análise de conjuntura sobre a greve estadual. Feito o confrontamento entre duas pautas globais, venceu a posição tirada da última Assembléia.

PAUTA retirada pela última Assembléia
- Metodologia e funcionamento da Assembléia
- Informes
- Esclarecimentos sobre a greve
- Calendário (estadual e programação local), com destaque para 16/06
- Organizativo

Consolidou-se então a continuidade da greve – em torno à deliberação da assembléia da mesma semana – seguindo-se os informes, o debate acerca da Greve, o calendário e a programação de atividades culturais e as medidas necessárias à continuidade da mesma.

Após uma semana tentando chamar os/as estudantes para o debate e a reflexão sobre a Universidade Pública, com passagem em salas, panfletagem e música no campus, essa medida – o chamado “cadeiraço – se fez necessária para tentarmos fazer com que as deliberações da Assembléia fossem respeitadas pelos professores e, por conseguinte, pelos estudantes. A greve estudantil deve ser respeitada, assim como respeitamos as assembléias dos professores. Este ato não visa nada além de efetivar as deliberações da Assembléia de estudantes.

Nos solidarizamos com a greve estudantil e a ocupação universitária da USP, assim como dos demais campi da UNESP. Pela universidade pública, gratuita, laica e de qualidade social voltada para a maioria da população do país.
Araraquara, 15 de junho de 2007.

Um comentário:

Anônimo disse...

Qual foi o resultado das negociaçoes?!
Estão em que pé?!