Profª Drª Ângela Viana Machado Fernandes
Faculdade de Ciências e Letras-UNESP
Departamento de Ciências da Educação
No último final de semana mais um fato veio somar aos vários atos de truculência praticados por alguns policiais militares do Estado de São Paulo, neste caso, em Boa Esperança do Sul, município próximo a Araraquara.
Para que possamos entender o fato, ou seja, a violência física e verbal praticada pelos policiais militares contra dois jovens da região precisamos perceber que existem alguns equívocos quando fala-se em Direitos Humanos no Brasil.
Primeiro, que ao se respeitar os Direitos Humanos não se está desrespeitando a polícia. Cada cidadão independentemente da classe social, da idade, da raça, do gênero, e cargo que ocupa na sociedade produtiva, com carteira assinada ou não, é portador de os direitos civis, portanto, invioláveis.
É papel da polícia salvaguardar os direitos fundamentais e não incitar a sua violação. Em segundo lugar, a sociedade civil (durante a ditadura militar), antes porta-voz dos abusos cometidos contra grupos que se opunham à forma de Estado autoritário, parece deixar que discursos moralistas ampliados pelas rádios locais calem o que há de mais importante no ser humano, a sua dignidade.
A barbárie institucionaliza-se quando as fardas, os jalecos, pesam mais que os valores humanos. Quando a roupa que se veste determina o poder em relação ao outro, ela é coercitiva. Uma farda pode ser coercitiva e até condenar o outro de maneira intencional tornando-se, muitas vezes, um prazer. O orgulho daquele que se encontra em pé reside no medo que este causa ao outro quando manda-lhe abrir as pernas, ajoelhar-se, elevar os braços à cabeça, despir-se, enfim, tornar a hierarquia visível a todos que possam pensar em desrespeita-los. A partir daí o medo estabelece-se e, aquele que deveria proteger a sociedade do medo, é o primeiro a enfatizá-lo criando métodos de exibicionismo, junto aos seus pares, como se estivesse competindo e, portanto, trabalhando contra os indivíduos.
Quando nos apropriamos de discursos que destituem o jovem de identidade, ou lhe são atribuídos falsos veredictos, como por exemplo, alunos da UNESP são drogados, jovens do Jardim das Hortências são ladrões, e outras do gênero, estamos nos eximindo do poder de pensar e valorar os acontecimentos sociais, localizando-os no espaço, no tempo, e na história. Estamos, portanto, imbuídos de preconceitos que mais hora, menos hora, chega até nós travestido de manutenção da ordem.
Os fatos da realidade estão mostrando que a crise dos Direitos Humanos está cada dia maior e tornando os seres humanos supérfluos, impotentes e sem lugar no mundo. Ocorre que o espaço público não parece ser mais público, as denúncias devem ser feitas de forma anônima para que não haja comprometimento e, portanto com sérias conseqüências a quem a faz. O anônimo denuncia o medo e o medo da denúncia anuncia a barbárie. Fechar os olhos à truculência com que tem sido tratados muitos jovens, que persistem na visibilidade como portadores de direitos, por parte de alguns policiais é coibir a verdade, a ética, a cidadania e portanto, a democracia.
Vale pensar, que sociedade queremos?
Faculdade de Ciências e Letras-UNESP
Departamento de Ciências da Educação
No último final de semana mais um fato veio somar aos vários atos de truculência praticados por alguns policiais militares do Estado de São Paulo, neste caso, em Boa Esperança do Sul, município próximo a Araraquara.
Para que possamos entender o fato, ou seja, a violência física e verbal praticada pelos policiais militares contra dois jovens da região precisamos perceber que existem alguns equívocos quando fala-se em Direitos Humanos no Brasil.
Primeiro, que ao se respeitar os Direitos Humanos não se está desrespeitando a polícia. Cada cidadão independentemente da classe social, da idade, da raça, do gênero, e cargo que ocupa na sociedade produtiva, com carteira assinada ou não, é portador de os direitos civis, portanto, invioláveis.
É papel da polícia salvaguardar os direitos fundamentais e não incitar a sua violação. Em segundo lugar, a sociedade civil (durante a ditadura militar), antes porta-voz dos abusos cometidos contra grupos que se opunham à forma de Estado autoritário, parece deixar que discursos moralistas ampliados pelas rádios locais calem o que há de mais importante no ser humano, a sua dignidade.
A barbárie institucionaliza-se quando as fardas, os jalecos, pesam mais que os valores humanos. Quando a roupa que se veste determina o poder em relação ao outro, ela é coercitiva. Uma farda pode ser coercitiva e até condenar o outro de maneira intencional tornando-se, muitas vezes, um prazer. O orgulho daquele que se encontra em pé reside no medo que este causa ao outro quando manda-lhe abrir as pernas, ajoelhar-se, elevar os braços à cabeça, despir-se, enfim, tornar a hierarquia visível a todos que possam pensar em desrespeita-los. A partir daí o medo estabelece-se e, aquele que deveria proteger a sociedade do medo, é o primeiro a enfatizá-lo criando métodos de exibicionismo, junto aos seus pares, como se estivesse competindo e, portanto, trabalhando contra os indivíduos.
Quando nos apropriamos de discursos que destituem o jovem de identidade, ou lhe são atribuídos falsos veredictos, como por exemplo, alunos da UNESP são drogados, jovens do Jardim das Hortências são ladrões, e outras do gênero, estamos nos eximindo do poder de pensar e valorar os acontecimentos sociais, localizando-os no espaço, no tempo, e na história. Estamos, portanto, imbuídos de preconceitos que mais hora, menos hora, chega até nós travestido de manutenção da ordem.
Os fatos da realidade estão mostrando que a crise dos Direitos Humanos está cada dia maior e tornando os seres humanos supérfluos, impotentes e sem lugar no mundo. Ocorre que o espaço público não parece ser mais público, as denúncias devem ser feitas de forma anônima para que não haja comprometimento e, portanto com sérias conseqüências a quem a faz. O anônimo denuncia o medo e o medo da denúncia anuncia a barbárie. Fechar os olhos à truculência com que tem sido tratados muitos jovens, que persistem na visibilidade como portadores de direitos, por parte de alguns policiais é coibir a verdade, a ética, a cidadania e portanto, a democracia.
Vale pensar, que sociedade queremos?
Um comentário:
Prof. Dra. Ângela, é inaceitável a existência da barbárie nos dias de hoje. Porém, o abuso de autoridade tem persitido. E não adianta falar: a tal, 'autoridade', insiste no erro. Acredita, ainda, que pode retardar a chegada da consciência nos homens. E isso não é verdade. Enquanto isso, 'idiotas' que se danem. A hora dos rotos chegará. Claro. - obrigada pelo texto: adorei! Gláucia Maria Guimarães Quadros
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