Dulce C. A. Whitaker
Pesquisadora do CNPq junto aos Programas de Pós Graduação da
UNESP – Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Araraquara
Pesquisadora do CNPq junto aos Programas de Pós Graduação da
UNESP – Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Araraquara
Para quem viveu os "anos de chumbo" dos governos militares no Brasil, no século passado, é surpreendente a fraca memória de alguns governantes, administradores universitários e "poderosos" de modo geral.
O tratamento dado à juventude num sistema que deseja perpetuar injustiças históricas varia entre o descaso e o massacre, com mediações intermitentes.
Mas nós todos, mães, pais e professores que vivemos as angústias daquelas décadas, entendíamos que a redemocratização do país enterraria para sempre velhas práticas.
Afinal, aquele regime não se dizia de "exceção"? Mas eis que o Campus Universitário de Araraquara se vê invadido em horas mortas (prática típica das Ditaduras assumidas) por contingentes fortemente armados, sob o beneplácito de um governo cujo titular foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e para "felicidade" de professores que outrora militaram, simpatizaram, ou no mínimo aplaudiram os movimentos juvenis que ajudaram a enfraquecer a ditadura militar.
Paralelamente, em unidades que se dizem sócio-educativas, jovens pobres são enquadrados a partir de espancamento e outras formas de violência.
Que medo é esse que os poderosos têm da juventude? Com certeza, o idealismo juvenil que ajuda a impulsionar a humanidade na direção da utopia ameaça os privilégios decorrentes da desigualdade social. Para que haja acumulação de riquezas é preciso conservar a miséria e mentir, garantindo que as injustiças sociais só serão resolvidas com mais e mais acumulação e mais e mais injustiças...
A juventude devia ser uma potencialidade a ser incorporada para aperfeiçoamento do sistema e correção das injustiças sociais. Mas os poderosos preferem manter os jovens à margem, empurrando-os muitas vezes para o caminho do crime ou para o inferno das drogas. Apoiados pelos reacionários de todas as gamas, torcem para que os jovens se enquadrem logo ou morram o mais depressa possível – desejos que variam, dependendo da condição de classe das vítimas juvenis.
Para tanto, todos os métodos são válidos e serão usados se necessário, até que o jovem se torne adulto e perca a memória de suas lutas juvenis, exatamente como aconteceu com muitos em nosso país.
O tratamento dado à juventude num sistema que deseja perpetuar injustiças históricas varia entre o descaso e o massacre, com mediações intermitentes.
Mas nós todos, mães, pais e professores que vivemos as angústias daquelas décadas, entendíamos que a redemocratização do país enterraria para sempre velhas práticas.
Afinal, aquele regime não se dizia de "exceção"? Mas eis que o Campus Universitário de Araraquara se vê invadido em horas mortas (prática típica das Ditaduras assumidas) por contingentes fortemente armados, sob o beneplácito de um governo cujo titular foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e para "felicidade" de professores que outrora militaram, simpatizaram, ou no mínimo aplaudiram os movimentos juvenis que ajudaram a enfraquecer a ditadura militar.
Paralelamente, em unidades que se dizem sócio-educativas, jovens pobres são enquadrados a partir de espancamento e outras formas de violência.
Que medo é esse que os poderosos têm da juventude? Com certeza, o idealismo juvenil que ajuda a impulsionar a humanidade na direção da utopia ameaça os privilégios decorrentes da desigualdade social. Para que haja acumulação de riquezas é preciso conservar a miséria e mentir, garantindo que as injustiças sociais só serão resolvidas com mais e mais acumulação e mais e mais injustiças...
A juventude devia ser uma potencialidade a ser incorporada para aperfeiçoamento do sistema e correção das injustiças sociais. Mas os poderosos preferem manter os jovens à margem, empurrando-os muitas vezes para o caminho do crime ou para o inferno das drogas. Apoiados pelos reacionários de todas as gamas, torcem para que os jovens se enquadrem logo ou morram o mais depressa possível – desejos que variam, dependendo da condição de classe das vítimas juvenis.
Para tanto, todos os métodos são válidos e serão usados se necessário, até que o jovem se torne adulto e perca a memória de suas lutas juvenis, exatamente como aconteceu com muitos em nosso país.
4 comentários:
Cara Professora, infelismente os detalhes de sua matéria já foram esquecidos por muiyos, inclusives pelos ex-estudantes da época que hoje ocupam cargos de destaque na sociedade política da União. Esquecem-se eles que foram até, exemplos para muitos dos estudantes que estão aí hoje, lutando contra o próprio pensamento que eles, através de seus pais e amigos cresceram escutando: histórias sobre movimentações da UNE contra atos ditatoriais ocorridos naquela época, não muito distantes.
Certo é que muitos deles foram exilados e voltaram, fizeram o movimento das diretas já, e participaram da nova Constituição Federal/88, através do movimento pelas constituinte, para o resurgimento do estado Democrático.
Detalhe importantíssimo: COM A AJUDA DOS ESTUDANTES QUE ORA REPRIMEM.
Afinal, SERÁ QUE VALE A PENA LUTAR E PENSAR UM País mais justo sócio-economicamente falando, ou todo este conflito acabará matando os estudantes que estão tentando, desesperadamente fazer com que os interesses "das universidades públicas" continuem sendo mantidos
Afinal, é através da Universidade, da Educação, que os nossos jovens poderam construir um futuro mais limpo e justo para nosso País!
sou mãe também...
Fico muito contente de ler o seu texto Profesora Dulce. Estou rezando para que não aconteça o pior, que morra alguem, ou aluno ou professor ou mesmo funcionário.Que decanos são esses que não conseguem agir em grupo para esfriar os ânimos? Acho que eles estão levando ao limite para instigar um desastre maior, e depois culpabilizar os alunos.
Ora essa. Como pode, homens sábios, doutores,com tanta titulação não entender o que esses jovens desejam? E que o direito da liberdade de expressão deveria ser preservado? Ou será que não?O que é ditadura? O que é democracia? Em que ano estamos? Será que esses dirigentes tem filhos, netos? OU são pessoas solitárias, infelizes?
"O olhar trágico da juventude sem passado pelos corredores de um presente perpétuo"
O artigo da Dulce é valioso, precisamente porque destaca a "desmemorização" do espetáculo que nos contém, onde entregamos nosso tempo em troca da contemplação orgástica do real morto.
Quando vi a foto dos camaradas ex-ocupados no latão da CTA (na primeira página da Tribuna) logo pensei em uma legenda talvez mais alucinatória do que aquela veiculada, talvez menos séria, certamente menos sóbria.
Para isso resgatei a passagem de um poema que escrevi há algum tempo e que surpreendentemente reconheci nas palavras da professora Dulce.
Tal legenda é o título desse comentário.
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A ocupação rasga o véu do isolamento!
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