quinta-feira, 21 de junho de 2007

Nota 02 - FCL e FCF fechadas pela polícia!


Nesse momento, 20h30min, quatro viaturas da polícia militar permanecem em frente ao portão da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP – Araraquara. Policiais SEM IDENTIFICAÇÃO impedem a entrada de qualquer pessoa, só é permitido sair! Segundo informações da própria polícia esta é uma medida de “segurança” que partiu do reitor da Universidade, Marcos Macari. Alguns professores, funcionários, estudantes e o vice-diretor da FCL/Ar – Paulo Rennes – permanecem na universidade até agora. O vice-diretor não quis dar entrevista aos alunos que com um gravador de áudio foram perguntar a ele o que estava acontecendo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Só para acrescentar, vou repassar uma fala dita pelo diretor da farmácia Iguatemi na discussão que está sendo realizada lá no gramado em frente ao campus da Unesp. Segundo ele foi lido em um "blog da folha" que uma invasão do campus amanhã tinha sido planejada por estudantes da propria unesp, usp e unicamp.
ACREDITEM, segundo ele, por causa desse boato lido no blog da folha, a polícia militar sitiou UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA por prevenção.
Esse tal Iguatemi está lá agora tentando uma possível negociação com os estudantes para a retirada dos PMs. Ele quer a desistência de um ato PÚBLICO.
GALERA, a situação é tragica, entretanto fica até cômica, uma negociação entre diretores e estudantes com a finalidade da retirada de uma medida inconstitucional, que é a policia no campus.
Estamos todos de testemunha... mas cade a mídia??? cade a indignação dos políticos que se dizem direitos?? CADE O APOIO GALERA???
INDIGNAÇÃO... TOTAL INDIGNAÇÃO....

Unknown disse...

VERGONHA!!!!!!
COVARDIA!!!!!!!

TOTAL INDIGNAÇÃO (2).

Christina disse...

Caros alunos,

Abaixo segue o relato que enviei para a lista de discussão dos docentes da FCl.

Abrs.
Christina Andrews
Prof. Assistente Doutora
Depto. Adm. Pública

"Caros colegas,

Mais uma vez, peço permissão para relatar os acontecimentos que presenciei aqui no campus. Desta vez, refiro-me à noite de quinta-feira, 21 de junho.

Como é de conhecimento geral, no início da noite, o campus foi fechado, pois havia a informação de que estudantes da USP e UNICAMP se dirigiam para a FCL, supostamente para voltar a ocupar dependências da unidade. Eu estava presente no campus nesse horário, assim como outros professores e alunos.

Alguns dos alunos que participam da greve, com quem conversei naquele momento, negaram veementemente de que haveria qualquer intenção de reiniciar as ocupações. Segundo alegaram, eles pretendiam realizar uma manifestação pacífica no campus, em repúdio à ação da tropa de choque na madrugada de quarta-feira.

Permaneci conversando com alunos a favor e contra a greve durante mais de uma hora, em frente à portaria da FCL. Essa conversa demonstrou que o diálogo entre alunos com diferentes perspectivas sobre a greve é perfeitamente possível.

Quando desci de carro até o portão de entrada do campus, o clima era bastante tenso. Em frente aos portões haviam quatro ou cinco viaturas da Polícia Militar; cerca de 100 alunos estavam reunidos um pouco adiante. Um pequeno grupo me agrediu verbalmente quando passei pelo portão. Parei o carro e fui conversar os estudantes.

Sintomaticamente, os alunos que protagonizaram as agressões verbais “evaporaram” assim que demonstrei disponibilidade para conversar. Fiquei junto com os alunos quase uma hora. Escutei as queixas de jovens revoltados com a presença da PM em frente ao campus, sentimento mais do que natural, considerando-se que as feridas da desocupação ainda são bastante recentes. No entanto, com a exceção de um pequeno grupo de estudantes que repudiava qualquer negociação para a abertura do campus, a maioria demonstrava indignação, mas disponibilidade para dialogar.

Procurei, então, o Prof. Iguatemy, diretor do campus, e o Prof. Paulo Rennes, que se encontravam na portaria. Eles explicaram a decisão de fechar o campus como uma medida preventiva para evitar possíveis confrontos e dano ao patrimônio. Começamos então a pensar uma proposta de negociação, inicialmente sugerindo que os estudantes indicassem uma comissão para que na manhã de hoje (sexta-feira) houvesse uma reunião com da direção da FCL, possivelmente com a presença de outros participantes (da Prefeitura de Araraquara e da imprensa). Os termos da direção, manifestados pelo Prof. Iguatemy, era para que os alunos se comprometessem a não reocupar dependências do campus e se eximissem de quaisquer ações violentas ou coercitivas, preservando a normalidade das atividades acadêmicas.

Em seguida, conversamos com os estudantes nesses termos, mas eles reiteraram que nenhuma negociação seria possível enquanto a Polícia Militar permanecesse junto aos portões do campus. Ponderei com o Prof.
Iguatemy e com o tenente no comando do contingente da PM que qualquer decisão estaria fadada a ter custos e benefícios. Segundo minha avaliação, o custo de manter a Polícia Militar em frente à entrada do campus seria maior do que enfrentar o risco de uma reocupação das dependências da FCL.

Ambos concordaram prontamente com essas considerações. Assim sendo, levamos a proposta para a saída da Política Militar aos professores Cláudio Gomide, Paulo Rennes e Kleber, assessor do reitor. Eles também concordaram com a proposta da saída imediata da PM da frente do campus e a abertura normal dos portões no dia de hoje (sexta).

Assim sendo, por volta das 23h30, levamos a informação sobre a saída da PM e a abertura dos portões a partir das 7h00s de hoje ao pequeno grupo de estudantes que ainda permanecia em frente à entrada do campus. O Prof.
Iguatemy reiterou que a direção esperava dos alunos da nossa unidade - e também daqueles de outras universidades que estariam para chegar ao campus - o pleno respeito ao patrimônio e a todos os membros da comunidade acadêmica. A maioria dos alunos ali presentes mostrou-se aliviada com a solução encontrada; vários reafirmaram que não havia qualquer intenção de desencadear novo processo de ocupação.

Devo registrar também que presenciei a agressão verbal sofrida pelo Prof.
Rennes em frente aos portões do campus, feita por um de nossos alunos.
Também é preciso registrar que a grande maioria dos alunos grevistas reunidos ontem à noite não protagonizou nenhum episódio desse tipo. Diria mesmo que seria possível contar nos dedos de uma mão os alunos que se manifestavam com agressividade e insistiam em rejeitar a idéia de negociações.

Apesar de mais um episódio tenso no nosso campus, estou otimista no que se refere à continuidade das negociações e do diálogo entre estudantes e direção. Mais ainda, notei uma abertura da parte dos grevistas para a aceitação do ponto de vista dos colegas que não apóiam a greve. Alguns deles até mesmo consideraram a possibilidade de uma consulta por voto secreto sobre a continuidade do movimento, desde que precedida por discussões entre os alunos.

Espero que possamos aproveitar de forma positiva as difíceis lições que recebemos nas últimas semanas.

Um abraço,

Christina Andrews
Depto. de Administração Pública"