Algumas palavras saem das bocas das pessoas como se tivessem vida própria. Vou chamá-las de parolas, essas são coisas vivas. Elas devem se hospedar no corpo das pessoas, ou por baixo da pele, ou em alguma outra parte do corpo. Essas parolas têm vida. De alguma forma, elas se reproduzem e vão se hospedando em milhares de pessoas, que nem percebem que estão contaminadas. Se essas parolas agem como outros parasitas, então elas contaminam o hospedeiro, desenvolvem-se em seu organismo e quando atingem a maturidade sexual, liberam ovos e larvas no meio ambiente para que encontrem novos hospedeiros. Este último movimento é o que me fez iniciar este texto: as parolas saem das bocas das pessoas. Não são as pessoas que falam parolas.
É incrível notar a velocidade de reprodução e contágio de certas palavras. Também é assustador observar o sucesso de algumas parolas em se reproduzir e contaminar as pessoas por tanto tempo, quase sem mutações. Segundo Darwin, os seres tendem a apresentar modificações, ou variações, de geração para geração: ‘descendência com modificação’. As parolas de maior sucesso contaminam crianças e adultos, homens e mulheres, ricos e pobres. Há casos tão extraordinários de parolas que conseguem romper as barreiras sanitárias e biológicas dos idiomas, sem (ou quase sem) modificações para o novo meio ambiente.
E daí? Para que gastar palavras para falar de parolas? Qual é o problemas delas se proliferarem entre nós? Há quem diga que isso não é parasitismo, que talvez seja uma simbiose, com benefícios para as parolas e humanos.
Eis minha angústia: as parolas controlam, organizam, segregam, excluem as pessoas. Algumas pessoas ficam vazias de si mesmas, de tantas parolas dentro de si. É uma coisa cruel, as parolas chegam a conduzir seus hospedeiros nos casos de super contaminação. E o pior, essas pessoas não se dão conta de sua própria morte.
Porém, estes casos de morte são raros; os parasitas dificilmente chegam a matar seus hospedeiros. Na maioria das vezes, o que se observa, são parolas contradizendo os atos de seus hospedeiros. Vê-se que aquele que diz respeitar o matrimônio religiosamente, flerta com outra mulher; aquele que diz que o governo deveria punir mais severamente os corruptos, sonega o imposto de renda; aquele que diz trabalhar por uma sociedade melhor, procura brechas nos controles burocráticos para fugir às responsabilidades. Então as parolas têm suas vidas e os hospedeiros as suas. A inconsistência entre parolas e atos é pouco questionada. A maioria das pessoas não se dá conta das divergências entre as suas parolas e seus atos. É mais fácil observar a boca e os atos dos outros, antes da própria. Há quem diga que respeita a pluralidade e, ao mesmo tempo, proíbe manifestações organizadas.
“Em sendo a Unesp uma Universidade Pública, ela está aberta à comunidade, mas não permite que, nas suas dependências, com ou sem a entrada de indivíduos estranhos, se realizem atividades comerciais, atos ligados a partidos políticos ou confissões religiosas. (...) Esta unidade tem forte compromisso com a cidadania, com a diversidade, com a tolerância e com o respeito às diferentes convicções políticas e religiosas, promovendo e praticando a democracia interna e externa.” (FCL/Araraquara UNESP).
CHAMANDO A POLÍCIA??? Neste caso, esvazia-se a assertiva: “sou homem de palavra”. Se da boca dos indivíduos saem parolas de vida própria, eles não precisam honrar suas parolas. “Liberdade! Respeito à pluralidade! Democracia!” Essas parolas perdem o sentido, esvaziam-se, pois os atos das pessoas não correspondem aos seus significados. Ou, muito nos enganamos sobre os significados das parolas. Mas essas parolas são campeãs de reprodução, tal o gosto agradável que elas deixam nas bocas das pessoas. Todos querem sentir-se defensores da liberdade e da igualdade. Não se sabe como, mas deixar escapar estas parolas já faz bem.
Quando muitos dizem a mesma coisa, talvez a coisa torne-se verdade: a palavra-ação. Porém, entre pensar, falar e agir, há distâncias. O que é Democracia?
Absurdo que isso tenha acontecido também em araraquara. Mesma coisa com os protestos, ocupação, qualquer manifestação da nossa opinião. A tropa de choque sempre está lá!
5 comentários:
O Discurso da Ordem
Algumas palavras saem das bocas das pessoas como se tivessem vida própria. Vou chamá-las de parolas, essas são coisas vivas. Elas devem se hospedar no corpo das pessoas, ou por baixo da pele, ou em alguma outra parte do corpo. Essas parolas têm vida. De alguma forma, elas se reproduzem e vão se hospedando em milhares de pessoas, que nem percebem que estão contaminadas. Se essas parolas agem como outros parasitas, então elas contaminam o hospedeiro, desenvolvem-se em seu organismo e quando atingem a maturidade sexual, liberam ovos e larvas no meio ambiente para que encontrem novos hospedeiros. Este último movimento é o que me fez iniciar este texto: as parolas saem das bocas das pessoas. Não são as pessoas que falam parolas.
É incrível notar a velocidade de reprodução e contágio de certas palavras. Também é assustador observar o sucesso de algumas parolas em se reproduzir e contaminar as pessoas por tanto tempo, quase sem mutações. Segundo Darwin, os seres tendem a apresentar modificações, ou variações, de geração para geração: ‘descendência com modificação’. As parolas de maior sucesso contaminam crianças e adultos, homens e mulheres, ricos e pobres. Há casos tão extraordinários de parolas que conseguem romper as barreiras sanitárias e biológicas dos idiomas, sem (ou quase sem) modificações para o novo meio ambiente.
E daí? Para que gastar palavras para falar de parolas? Qual é o problemas delas se proliferarem entre nós? Há quem diga que isso não é parasitismo, que talvez seja uma simbiose, com benefícios para as parolas e humanos.
Eis minha angústia: as parolas controlam, organizam, segregam, excluem as pessoas. Algumas pessoas ficam vazias de si mesmas, de tantas parolas dentro de si. É uma coisa cruel, as parolas chegam a conduzir seus hospedeiros nos casos de super contaminação. E o pior, essas pessoas não se dão conta de sua própria morte.
Porém, estes casos de morte são raros; os parasitas dificilmente chegam a matar seus hospedeiros. Na maioria das vezes, o que se observa, são parolas contradizendo os atos de seus hospedeiros. Vê-se que aquele que diz respeitar o matrimônio religiosamente, flerta com outra mulher; aquele que diz que o governo deveria punir mais severamente os corruptos, sonega o imposto de renda; aquele que diz trabalhar por uma sociedade melhor, procura brechas nos controles burocráticos para fugir às responsabilidades. Então as parolas têm suas vidas e os hospedeiros as suas. A inconsistência entre parolas e atos é pouco questionada. A maioria das pessoas não se dá conta das divergências entre as suas parolas e seus atos. É mais fácil observar a boca e os atos dos outros, antes da própria. Há quem diga que respeita a pluralidade e, ao mesmo tempo, proíbe manifestações organizadas.
“Em sendo a Unesp uma Universidade Pública, ela está aberta à comunidade, mas não permite que, nas suas dependências, com ou sem a entrada de indivíduos estranhos, se realizem atividades comerciais, atos ligados a partidos políticos ou confissões religiosas. (...) Esta unidade tem forte compromisso com a cidadania, com a diversidade, com a tolerância e com o respeito às diferentes convicções políticas e religiosas, promovendo e praticando a democracia interna e externa.” (FCL/Araraquara UNESP).
CHAMANDO A POLÍCIA??? Neste caso, esvazia-se a assertiva: “sou homem de palavra”. Se da boca dos indivíduos saem parolas de vida própria, eles não precisam honrar suas parolas. “Liberdade! Respeito à pluralidade! Democracia!” Essas parolas perdem o sentido, esvaziam-se, pois os atos das pessoas não correspondem aos seus significados. Ou, muito nos enganamos sobre os significados das parolas. Mas essas parolas são campeãs de reprodução, tal o gosto agradável que elas deixam nas bocas das pessoas. Todos querem sentir-se defensores da liberdade e da igualdade. Não se sabe como, mas deixar escapar estas parolas já faz bem.
Quando muitos dizem a mesma coisa, talvez a coisa torne-se verdade: a palavra-ação. Porém, entre pensar, falar e agir, há distâncias. O que é Democracia?
Democracia é só mais uma PAROLA???
Pessoal, por favor, os policiais estavam sem identificação? Apenas alguns deles ou todos?
obg. abraço
PS. estamos na luta com vcs.
unesp - bauru
nice blog
Absurdo que isso tenha acontecido também em araraquara. Mesma coisa com os protestos, ocupação, qualquer manifestação da nossa opinião. A tropa de choque sempre está lá!
Estamos na luta com vcs, Unesp Assis
Postar um comentário